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Como planejar o orçamento de SEO e GEO para 2027

por | ago 21, 2026 | GEO, SEO

Agosto marca, para boa parte das empresas B2B e das marcas de porte médio a grande no Brasil, o início do ciclo de planejamento orçamentário de 2027! A diferença deste ano é que a divisão entre SEO tradicional e GEO deixou de ser uma linha secundária de teste e passou a pedir peso próprio na planilha.

Fizemos este guia para discutir um método em cinco passos que pode ajudar as empresas a decidirem com números, quanto do orçamento de marketing de conteúdo pode ir para cada frente no ano que vem.

Highlights

  • A CTR do primeiro resultado orgânico cai até 58% quando a busca exibe um AI Overview, segundo a Ahrefs, e mesmo com a recuperação parcial registrada no início de 2026, o padrão de cliques anterior a 2024 não voltou.
  • Com o AI Mode chegando ao português do Brasil, parte relevante do tráfego informacional que hoje alimenta o topo de funil corre o risco de ficar retida dentro da própria interface de busca do Google.
  • O comércio agêntico já influenciou US$ 67 bilhões em vendas globais durante a Cyber Week de 2025, segundo a Salesforce, e o tráfego de IA para lojas Shopify cresce ano a ano.
  • Marcas com maior maturidade em IA já destinam 21,3% do orçamento de marketing a iniciativas ligadas a IA, contra 15,3% da média do mercado, segundo o Gartner CMO Spend Survey 2026, uma diferença que deve pesar direto na disputa por visibilidade em 2027.

Por que o orçamento de 2027 não pode copiar o de 2026

É tentador fechar o planejamento do ano seguinte ajustando a régua de 2026 para cima, certo? Mais um pouco em SEO, mais um pouco em mídia paga, e uma verba menor “para testar GEO”, quase como item de curiosidade. Esse caminho funcionava razoavelmente bem quando a busca era, em essência, estável: uma lista de links azuis no Google, em que a posição orgânica determinava o volume de cliques. E agora sabemos que esse não é mais o caso.

Nos últimos dois anos, três movimentos mudaram a equação de tráfego que sustenta esse tipo de decisão: a proliferação dos AI Overviews reduziu a taxa de cliques mesmo para páginas bem posicionadas. Fora ele, o AI Mode ainda chegou ao português do Brasil trazendo uma experiência de busca conversacional dentro do próprio Google, e o comércio agêntico começou a tirar humanos do meio de parte das jornadas de compra. Nenhum desses três é hipotético ou está restrito a mercados de língua inglesa. 

Planejar 2027 com a mesma lógica de 2026 significa manter o orçamento amarrado a um modelo de consumo de busca que já não representa a realidade da maior parte das categorias.

O que mudou na busca nos últimos 12 meses

Os números ajudam a tirar a conversa do campo da opinião. A Seer Interactive acompanhou 3.119 consultas informacionais em 42 organizações entre junho de 2024 e setembro de 2025 e viu a CTR orgânica em buscas com AI Overview cair de 1,76% para 0,61%, uma queda de 65%. A Ahrefs, analisando o mercado de forma mais ampla, estimou que a presença de um AI Overview reduz em até 58% a CTR média do primeiro resultado orgânico. Houve uma recuperação parcial no início de 2026, com a CTR nesse tipo de busca subindo de 1,3% em dezembro para 2,4% em fevereiro, mas o patamar segue muito abaixo do que era antes da IA generativa entrar na página de resultados.

O efeito agregado é o crescimento da chamada busca “zero-click”: pesquisas que terminam sem nenhum clique para fora do Google. Estudos recentes apontam algo entre 64% e 68% das buscas nos Estados Unidos nessa categoria em 2026, com o número subindo para até 83% quando um AI Overview aparece na página. Consultas informacionais (exatamente o tipo de conteúdo que sustenta blogs corporativos e estratégias de topo de funil) são as mais afetadas, com taxa de zero-click perto de 74%.

No Brasil, esse cenário ganhou um capítulo novo em 2026 com a expansão do AI Mode para o português, alimentado pelo Gemini 2.5. O recurso substitui a lista tradicional de links por uma experiência conversacional e multimodal, que processa a consulta em múltiplas etapas antes de responder. Isso significa que uma fatia do tráfego informacional que hoje chega a um site brasileiro pela busca tradicional pode simplesmente deixar de sair da interface do Google, algo que já vinha acontecendo nos Estados Unidos desde o lançamento do recurso em 2025.

Aí, é só somar isso a ascensão do comércio agêntico: agentes de IA fazendo pesquisa, comparação e, em alguns casos, a própria compra em nome do usuário. O mercado global de comércio agêntico foi avaliado em US$ 5,7 bilhões em 2025 e deve alcançar cerca de US$ 7,7 bilhões só em 2026, com projeções de longo prazo bem mais agressivas. 

Imagem com gráficos mostrando a queda de ctr com AI Overview e a oscilação sem o AI Overview

GEO não é orçamento extra: é redistribuição de risco

O erro mais comum no planejamento que já vimos em conversas com clientes é tratar o GEO como uma linha “a mais”: um valor pequeno, isolado, quase simbólico, somado ao orçamento de SEO que já existia. Essa lógica ignora que o dinheiro que já está sendo investido em conteúdo e otimização orgânica está exposto ao mesmo risco que motiva o GEO: a possibilidade de perder visibilidade (e receita) para uma camada de resposta gerada por IA que se coloca entre a marca e o usuário.

Pensar o orçamento de 2027 como redistribuição de risco muda a pergunta. Em vez de “quanto vamos gastar em GEO além do que já gastamos em SEO”, a pergunta certa é “qual fatia do investimento em visibilidade orgânica precisa proteger a marca também dentro das superfícies de IA, e não só nos dez links azuis”. 

Isso inclui trabalho que várias equipes de SEO já fazem bem: dados estruturados, autoridade de conteúdo, sinais de E-E-A-T, mas também exige investimento novo: monitorar como a marca aparece (ou não aparece) em respostas de ChatGPT, Gemini, Perplexity e no próprio AI Mode. Além de tudo isso, não podemos deixar de lado os testes de formatos de conteúdo que favorecem citação, e acompanhar métricas que o Google Search Console simplesmente não mostra, como menções e compartilhamento de voz em respostas de IA.

Como decidir a divisão do orçamento com dados reais

O ponto de partida para fugir do “achismo” é reunir informação que a maioria das empresas já tem, mas raramente cruza da forma mais lucrativa. O método abaixo organiza essa base em cinco passos, na ordem em que costuma fazer sentido rodar durante o ciclo de planejamento.

1. Auditar o desempenho atual por tipo de busca

Separe, no Search Console, as consultas informacionais das transacionais e observe a CTR real de cada grupo por posição. Se páginas que rankeiam bem para termos informacionais mostram impressões estáveis e cliques em queda, é sinal de que a demanda está sendo capturada em outro lugar da página de resultados, muito provavelmente por um AI Overview. 

Esse diagnóstico, feito cluster a cluster, já indica onde o orçamento de SEO tradicional ainda gera retorno direto e onde ele está, na prática, financiando visibilidade sem tráfego.

2. Mapear a exposição a zero-click e AI Overviews por cluster

Cruze a lista de palavras-chave prioritárias com a presença de AI Overview na SERP (ferramentas como Ahrefs e Semrush já trazem esse dado). 

Clusters com alta exposição a AI Overviews e alta taxa de zero-click são candidatos naturais a receber menos investimento em produção de conteúdo tradicional e mais investimento em formatos otimizados para citação: respostas diretas, dados estruturados, conteúdo fácil de extrair por um modelo de linguagem.

3. Medir a visibilidade da marca dentro dos mecanismos generativos

Este é o passo que a maioria dos orçamentos de 2026 ainda pulou. Rodar prompts relevantes para o negócio em ChatGPT, Gemini, Perplexity e no AI Mode, e registrar se a marca aparece, com que frequência e ao lado de quais concorrentes, dá uma base concreta para justificar investimento em GEO, em vez de tratá-lo como aposta de fé. 

Ferramentas de monitoramento de share of voice, visibilidade e sentimento em IA, como a brasileira Mentionflow, tornam esse acompanhamento recorrente, deixando de ser um exercício pontual.

4. Definir a régua de investimento com base em benchmarks de mercado

Com o diagnóstico interno pronto, vale calibrar contra o que o mercado está fazendo. O Gartner CMO Spend Survey 2026 mostra orçamentos de marketing girando em torno de 7,8% da receita da empresa, com organizações mais maduras em IA chegando a 11%; dentro desse total, a média de investimento em iniciativas de IA é de 15,3%, subindo para 21,3% entre as empresas mais avançadas. 

Pesquisas específicas do setor apontam que 94% dos líderes de marketing planejam aumentar o orçamento de AEO/GEO em 2026, com empresas de porte médio a grande já destinando algo perto de 12% do investimento digital a esse tipo de otimização. 

Um framework simples e fácil de adaptar é a regra 70/20/10: 70% do orçamento de otimização para táticas já validadas (estrutura de conteúdo, dados estruturados, autoridade), 20% para frentes emergentes (otimização para busca por voz, rastreabilidade por bots de IA) e 10% reservado para experimentação.

5. Reservar uma fatia para experimentação em comércio agêntico

Mesmo que o volume de vendas via agentes ainda seja pequeno na maioria dos setores no Brasil, o crescimento projetado justifica reservar uma parte pequena, mas explícita, do orçamento para testar como o produto ou serviço da empresa se comporta quando “comprado” por um agente em vez de por uma pessoa navegando o site. 

Isso inclui garantir que catálogos, preços e políticas estejam estruturados de forma legível por máquina, e acompanhar de perto os primeiros sinais de tráfego agêntico chegando ao site.

Ilustração com 3 gráficos de pizza mostrando os diferentes níveis de empresa e seus orçamentos para SEO e GEO

Erros que podem custar caro no planejamento de 2027

Alguns padrões se repetem nas conversas de orçamento que temos visto neste ciclo, e vale nomeá-los antes de fechar uma estratégia:

  • Tratar o GEO como projeto pontual de um trimestre, sem verba recorrente, quando o comportamento de busca que o justifica é estrutural e continua evoluindo mês a mês.
  • Medir o ROI de conteúdo apenas por tráfego e ranking, ignorando páginas que mantêm posição mas perderam clique para um AI Overview, o que subestima o valor de manter presença nesse formato.
  • Assumir que o AI Mode “ainda não chegou de verdade” ao Brasil e adiar qualquer investimento em GEO para 2028, quando a expansão para português já está em curso.
  • Deixar de acompanhar citações e menções da marca em respostas de IA por falta de ferramenta ou de rotina, o que impede qualquer ajuste de curso ao longo do ano.
  • Ignorar o comércio agêntico no planejamento por parecer distante da realidade do negócio, sem reservar nem uma verba mínima de teste para os primeiros sinais desse tráfego.

Agora sim, pra fechar

O orçamento de 2027 não precisa (e provavelmente não deve!) inverter da noite para o dia a proporção entre SEO tradicional e GEO. Para a maioria das empresas, a mudança é gradual: mais conteúdo de qualidade e bem estruturado, e mais verba em estrutura, dados e monitoramento de presença em IA, sem contar um uma fatia pequena, mas real, reservada para experimentação em comércio agêntico. 

O que fica mais difícil defender é decidir essa divisão sem números: sem olhar CTR por cluster, sem medir exposição a AI Overviews, sem saber como a marca aparece (ou não aparece) quando alguém pergunta para o ChatGPT ou para o AI Mode.

Se esse diagnóstico ainda não existe dentro de casa, esse é justamente o tipo de levantamento que a Wesearch ajuda a estruturar antes do fechamento do orçamento, cruzando dados de tráfego, zero-click e visibilidade em IA para transformar a divisão entre SEO e GEO em decisão de dados


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Até a próxima!

Escrito por
Matheus Rocha
Sou sócio e Head de Conteúdo na Wesearch, com 20 anos de experiência contando histórias. No SEO, encontrei o campo certo pra fazer conteúdo que faça sentido, pra pessoas e pra buscadores, incluindo agora as buscas conversacionais e a IA (bem-vindo, GEO). Vivo entre estratégia e prática, testando ideias, formatos e caminhos que ampliem o que consigo entregar. Nas horas vagas, sou apaixonado por cinema, escritor amador e estudioso de História, principalmente do Brasil.

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